Aperte o Play, Encontre o Flow! Virando a chave para a positividade no Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo nos convida a falar sobre a vida. Nessa proposta, olharemos com cuidado, leveza, criatividade e bem-estar para cada pedacinho dessa jornada: ano a ano, mês a mês, dia após dia.

Porque na Flow entendemos que a felicidade não é um presente. Ela é presencialidade.

O ritmo da hipermodernidade

Vivemos em uma era marcada pela pressa, pela hiperconexão e pelo excesso de estímulos. Tudo é superlativo, é para ontem. Mais da metade de todos os dados disponíveis no mundo foram gerados nos últimos dois anos. Que loucura! Gilles Lipovetsky denominou nossos tempos de “hipermodernos”: cobra presença, produtividade e resultados contínuos, mas muitas vezes rouba o sentido da jornada, já que as expectativas, os conflitos, os medos e incertezas sobre o futuro também estão potencializados.

E como cultivar leveza nesse cenário?

Psicologia Positiva: da ausência de problemas à presença de bem-estar

E durante muito tempo, a psicologia tradicional se concentrou em reduzir o sofrimento humano (muito justo e importante!). Mas no final dos anos 90 houve a seguinte ponderação: diminuir a infelicidade é o mesmo que promover a felicidade?

Foi Martin Seligman, psicólogo americano, quem apresentou ao mundo a Psicologia Positiva: um movimento que mudou o foco da ausência de doença para a presença de bem-estar. Em um contexto em que a hipermodernidade nos exige perfeição, a Psicologia Positiva nos convida a valorizar aquilo que gera sentido, resiliência e alegria no dia a dia:

  • Emoções positivas
  • Relações saudáveis
  • Forças pessoais
  • Propósito no cotidiano

É um olhar que transforma desafios em oportunidades, tornando cada experiência, mesmo as difíceis, um espaço de aprendizado e crescimento.

Playfulness: o poder do brincar na vida adulta

E é nesse olhar que o Play encontra espaço. E não se trata de uma tradução literal para o brincar: o Play é muito mais que isso. Ele te coloca em condição de se permitir entrar em um estado de abertura, curiosidade e leveza diante da vida. Você “se joga” nas experiências, abraçando a tensão e enxergando adversidades como desafios cotidianos que testam nossas forças, virtudes e outros fatores que promovem bem-estar e realização.

Quando levamos o “Play” para a nossa rotina abrimos espaços para:

  • Mais criatividade
  • Novas conexões
  • Prazer no processo
  • Resiliência diante das adversidades

O Play nos ensina que a felicidade não é só um resultado, mas a maneira como nos relacionamos com cada momento, incluindo esses desafios que nos transformam e têm todos os predicados necessários para nos levar ao Estado de Flow. O Play é, portanto, um caminho natural para o Flow: enquanto um nos convida a se abrir e experimentar, o outro nos permite mergulhar e permanecer imersos na experiência.

Flow: felicidade que nasce da jornada

O Flow é uma condição mental totalmente contrária à passividade. Exige de suas habilidades, pede controle e presença, e não elimina a possibilidade de dor e decepção. É daquele jeito que conhecemos: a vida como ela é! “É a combustão entre a tensão criativa e a resiliência estoica”, conforme o psicólogo e professor Lucas Freire. É encontrar prazer e felicidade nas realizações do aqui e agora, apesar de tudo e todos.

As ciências da psicologia e, principalmente, da neurociência comprovam: a felicidade duradoura tem pouco a ver com as condições externas, mas com as lentes através das quais o cérebro vê o mundo e que moldam a nossa realidade. Assim, ainda que subjetiva, a felicidade não se alinha à sorte, mas ao exercício diário. E algumas pequenas práticas podem ajudar o nosso cérebro a perceber o que realmente importa:

  • Adote gestos conscientes de bondade
  • Injete positividade no seu ambiente
  • Celebre pequenas conquistas
  • Quando sentir necessidade, pause e respire

Muita gente ainda duvida. Para elas, parece improvável que gestos simples como agradecer, respirar fundo ou celebrar uma conquista do dia a dia tenham impacto real em suas vidas, mas aliadas ao Play e ao Flow, essas práticas (e tantas outras), podem transformar a rotina em campo de aprendizado e alegria.

Então, reforçamos: a felicidade duradoura não estará no final do arco-íris. Ela está no caminho. Está na forma como nos relacionamos com os instantes da vida e na coragem de apertar o Play e encontrar o Flow.

Cuidar de si também é treinar o olhar para o que nos dá alegria e pertencimento. É aceitar que haverá desafios e reconhecer que é justamente neles que podemos crescer, criar e ressignificar. Porque viver é mais do que suportar o peso: é transformá-lo em potencial.

Para se aprofundar:
artigo da PositivePsicology.com – Mihály Csíkszentmihályi: O Pai do Fluxo
Artigo da PositivePsicology.com – A ciência e a pesquisa sobre gratidão e felicidade
TED – Martin Seligman e a Psicologia Positiva
TED – Shawn Achor: O segredo feliz para trabalhar melhor

Referências
Freire, Lucas. Playfulness: trilhas para uma vida resiliente e criativa. São Paulo. DVS Editora, 2021.
Achor, Shawn. O jeito Harvard de ser feliz: o curso mais concorrido de uma das melhores universidades do mundo. São Paulo. Benvirá, 2023.